Special FAPS – Fórum de Atualização em Pesquisas Semióticas
Sexta-feira, 25/09/2026, 14h00 - horário de Brasília - em modo presencial na sala 107 das Letras USP e com transmissão ao vivo pelo Google Meet
Ciências da linguagem, história, identidade e democracia
mesa-redonda com Diana Luz Pessoa de Barros (USP), Olga Ferreira Coelho (USP) e Jean C. Portela (UNESP)
Esta mesa-redonda busca explorar as contribuições das ciências da linguagem nos debates sobre a história e a democracia, com especial ênfase nos seguintes eixos de investigação: os conceitos de “raça” e de “identidade” e seus desdobramentos; e o preconceito e a intolerância nos estudos sobre a linguagem. Essas questões serão tratadas no âmbito da história dos estudos linguísticos no Brasil, em diferentes perspectivas teóricas, tais como a historiografia linguística e a história das ideias linguísticas.
Considerando que é o conceito moderno de ‘raça’ que possibilita e justifica o processo econômico de colonização europeia, da escravização, do tráfico, da espoliação, do extermínio indígena e negro, assim como a renovação contínua dos efeitos desses processos em sociedades como a brasileira e, mais especificamente, lidando com produções dos séculos XIX e XX sobre a diversidade linguística do país, discutiremos qual o sentido da presença/ausência de ‘raça’ como tema explícito em fontes históricas que surgem e circulam em contextos de intensa racialização. Questiona-se, principalmente, se a desmobilização paulatina de ‘raça’ como categoria analítica na linguística brasileira concorreu para sustentar ideias como a de democracia racial, ou, ainda, se existe algum tabu relacionado à consideração de relações entre língua e ‘raça’ nos estudos linguísticos brasileiros atuais, sendo ‘raça’ um conceito operatório muito produtivo em outras ciências humanas que desejam interpretar o Brasil.
Propomos ainda um mapeamento sobre o modo como pesquisadores brasileiros têm abordado, especialmente nos últimos anos, as questões relativas à identidade nos estudos linguísticos, de acordo com os diversos traços identitários ou marcadores sociais, como raça, classe social, nacionalidade, gênero, sexualidade e deficiência. Considerando obras de autoria individual e coletiva, traduções e dossiês de periódicos e ementas de eventos da área, vemos que os traços identitários mais frequentemente estudados têm sido aqueles de classe, raça, gênero e sexualidade, com prevalência mais recente de gênero e sexualidade. A linguística aplicada brasileira tem um papel de destaque no tratamento das identidades, liderando esse debate juntamente com especialidades como a sociolinguística, a pragmática, as teorias do texto e do discurso e a historiografia linguística.
Acerca do preconceito e da intolerância, examinaremos gramáticas do português do século XVI ao XXI. Serão observadas as marcas da intolerância difusa anterior ao século XIX (em geral em relação às colônias e a seus usos linguísticos e às diferenças de religião), as da intolerância explicitada dos fins do século XIX e início do XX (com o discurso gramatical fundamentado na ideologia da “pureza original” linguística dos estudos histórico-comparativos e nos estudos biológicos e genéticos da evolução das espécies e dos caracteres hereditários) e as das novas formas de intolerância próprias da segunda metade do XX e início do XXI (o racismo diferenciador do apartheid e da violência simbólica), e também o papel das gramáticas de usos no combate aos discursos intolerantes.
O conjunto da mesa tem por objetivo principal explicitar o papel dos estudos da linguagem, e em particular dos da história da linguística, na produção de conhecimento sobre a intolerância em geral e, por conseguinte, na construção de sociedades mais justas, inclusivas e democráticas.
Diana Luz Pessoa de Barros, semioticista, docente do Departamento de Linguística e da Pós-graduação em Semiótica e Linguística Geral da FFLCH-USP, ex-aluna de Algirdas Julien Greimas e de Bernard Pottier, é, no Brasil, um nome de destaque nos estudos da linguagem. Foi Secretária Geral da ALFAL (2008-2014), membro da comissão da FILLM - UNESCO, presidente da ABRALIN (1991-1993), membro do Conselho da ANPOLL (2000-2002). Em 1997-1998 e 2006-2009, foi representante da área de Linguística no Comitê de Letras e Linguística do CNPq. Foi professora visitante na Universidad de Los Andes, em Mérida, na Venezuela, em 1991 e em 2004, e na Universidade de Limoges, na França, em 2006. Coordenou a Pós-Graduação Stricto Sensu em Letras na Universidade Mackenzie, 2011-2012. Presidiu e organizou vários congressos nacionais e internacionais, sendo o último internacional em 2002, a IX International Conference on the History of Language Sciences - ICHOLS IX. Seus numerosos livros publicados, referências frequentes dos demais pesquisadores da área, somam-se a uma longa lista de artigos de investigação em periódicos científicos.
Olga Ferreira Coelho, professora do Departamento de Linguística da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP, coordena o CEDOCH (Centro de Documentação em Historiografia Linguística) e exerce as funções de vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação e de membro da Comissão Coordenadora do Curso de Graduação. É a atual coordenadora da Comissão de Historiografia Linguística da ABRALIN e atual editora-chefe da Editora da ABRALIN. Colabora, como pesquisadora estrangeira, com o grupo de Historiografia Linguística da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Lidera o grupo de pesquisa Historiografia Linguística CEDOCH-DL-USP (CNPq) e participa do Conselho do Centro de Estudos Palestinos da FFLCH-USP. Foi editora da Revista do GEL (2008-2012) e integrou a Comissão Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Linguística (em diversos momentos). Coordenou o GT Historiografia da Linguística Brasileira da ANPoLL (2008-2012), foi membro da Diretoria do GEL (2012-2013) e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Linguística da USP (2012-2014).
Jean Cristtus Portela, professor Associado III do Departamento de Linguística, Literatura e Letras Clássicas e do Programa de Pós-Graduação em Linguística e Língua Portuguesa da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, câmpus de Araraquara, é pesquisador do CNPq (Nível 2) e líder do Grupo de Pesquisa em Semiótica da Unesp (GPS-Unesp). Atualmente, é Assessor da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Unesp. Foi Diretor da Faculdade de Ciências e Letras, câmpus de Araraquara (2021-2025). Autor, organizador e tradutor de diversas publicações científicas, desenvolve pesquisas em história e epistemologia das ciências da linguagem, especialmente da semiótica. Foi vice-coordenador do GT de Semiótica da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL) no biênio 2010-2012, integrou a Comissão da Área de Humanas da PROPe/Unesp (2011-2015), foi tesoureiro da Federação Românica de Semiótica (2015-2019), presidente da ABES - Associação Brasileira de Estudos Semióticos (2017-2023) e coordenador do projeto Capes/PrInt Unesp Linguagens e produção de conhecimento (2018-2024).
Sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Das 14h00 às 16h00 - horário de Brasília
Encontro em modo híbrido: presencial na sala 107 das Letras e com transmissão ao vivo pelo Google Meet
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O encontro é aberto a todos os interessados.
