FAPS - maio 2020 - Ana Claudia de Oliveira

FAPS – Fórum de Atualização em Pesquisas Semióticas
Sexta-feira, 29/05/2020, 14h00, em modo remoto via Google Meet (ver link no rodapé desta página) 

O saber e o sabor da leitura. Do controle inteligível à co-criação sensível

por Ana Claudia Mei Alves de Oliveira (CPS - PUC-SP)

 

A biblioteca definida como coleção de saberes do tipo enciclopédico de Umberto Eco, mas também a do tipo labirinto do saber de José Luís Borges, as duas se cruzam no desenvolvimento da formação da atitude do leitor. Aquele que lê recebe das obras uma doação de saber. Do domínio do saber, a leitura do verbal é ultrapassada quando o leitor passa a acompanhar as inversões dos papéis dos actantes e a articulação das tramas a ponto de ele desenvolver-se imaginando outras tramas possíveis, novos papéis actanciais, novas axiologias. Por meio de estratégias e programas de ação, o domínio da leitura sinaliza para o leitor aprendiz as trajetórias para ele empreender a fim de se competencializar para ter liberdade de imaginação e liberdade de criação de suas próprias narrativas. A leitura desse leitor em formação pode então ser encaminhada para ser do tipo de devoração e apropriação. Ao se colocar livre na desmontagem das obras acabadas, é o leitor que se pode libertar das axiologias constituídas para programar comportamentos com papéis abertos para ser e estar na sociedade. Abrindo capa e contracapa, páginas, é o projeto gráfico do livro, a escolha da tipografia, o corpo da letra, a escolha do papel e de passagens do bidimensional ao tridimensional do livro objeto que estimula a leitura sincrética das linguagens da literatura.  De leitor do verbal, esse tipo de literatura, na temporalidade do agora e na espacialidade do aqui, toma o enunciatário como parceiro do enunciador, um co-criador com o qual compartilha as possibilidades inventivas. Esses atos cultivados despertam no leitor os passos da descoberta de suas próprias competências narrativas nas quais ele é guiado em sua inteligência sintagmática pelas suas competências estésicas. Sentir os arranjos e rearranjos figurativos, temáticos e enunciativos das narrativas que se processam de outras narrativas é um ato de narrar que o próprio livro convida o leitor a praticar no seu mundo vivido. Cada narrativa carrega em si mesma a possibilidade de novas narrativas, cada vida de novas vidas o que as abrem a um horizonte inesgotável de invenção. 

 


ana_claudia_de_oliveira_pbAna Claudia Mei Alves de Oliveira é professora titular da PUC de São Paulo: FAFICLA, no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica. Pós-Doutorado em Semiótica na E.H.E.S.S. com A. J. Greimas (1989-1991). Co-Diretora do Centro de Pesquisas Sociossemióticas-CPS. Orientou mais de uma centena de teses e dissertações nos domínios da semiótica das práticas de vida; semiótica da cidade; semiótica plástica e figurativa, semiótica das mídias, semiótica da arte. Publicou os livros individuais: “Neolítico: Arte Moderna”; “Fala Gestual”; “Vitrinas, acidentes estéticos na cotidianidade” e várias obras coletivas, destacando-se: “Semiótica plástica”; “As interações sensíveis”; “Do sensível ao inteligível”; “São Paulo Privado & Público, Abordagem sociossemiótica”; “Semiótica das práticas sociais”; “São Paulo e Roma. Práticas de vida e sentido”; “Semiótica do social”; “São Paolo in divenire tra identità, conflitti e riscritture”, “Semiótica em contextos”. Com M.A. Junqueira publicou “São Paulo escrita imagem em atravessamento estético-político”; com E. Landowski e R. Dora, “Semiótica, estesia, estética”; com L. Teixeira, “Linguagens na comunicação. Desenvolvimentos da semiótica sincrética”; com E. Landowski, “Do inteligível ao sensível”.

 


Sexta-feira, 29 de maio de 2020
Das 14h00 às 15h30
Encontro remoto 

O encontro é aberto a todos os interessados, sem necessidade de inscrição prévia.
Clique aqui para o link de acesso à sala de chat - Google Meet 

 

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